quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tribuna da Madeira de 06/04/2012

"O SPM tem de ser um espaço de debate plural onde não cabem favorecimentos partidários"
A opinião é do candidato pela "Alternativa SPM"
Sara Silvino


Tribuna da Madeira - Quais são os principais objectivos  alcançar caso a “Alternativa SPM” vença a liderança do sindicato?
Manuel Esteves - A Alternativa SPM é um projecto honesto de revitalização e dignificação da imagem desgastada que o Sindicato dos Professores da Madeira vem adquirindo nos últimos anos, mais acentuadamente no triénio que agora finda. A força reivindicativa perdida pelas diversas formas de cumplicidade política, assumidas pela equipa cessante e que se transfere agora para a lista A, a da continuidade, deve ser recuperada a bem dos docentes e da Educação na RAM. Pretendemos assim o reconhecimento social, político, económico e cultural, de todo um conjunto de profissionais altamente qualificados que são responsáveis pela educação de toda uma sociedade que pretendemos mais justa, livre e solidária.
Envolver os sócios e devolver-lhes o direito a uma participação activa, que é própria da actividade sindical, fará do SPM o sindicato de referência que foi no passado. Queremos que as escolas voltem a ser o espaço privilegiado do debate sindical e não apenas reduzi-lo a um sindicalismo burocrático-administrativo centrado na sede da Cabouqueira.


TM- O vosso lema é “RESISTIR, MUDAR E AGIR: PEL@S DOCENTES DA MADEIRA E DO PORTO SANTO”. Numa mensagem que recebemos recentemente, via email, referia que a “Alternativa SPM não se quer identificar com a actuação do passado recente que considera de ERRADA, INEFICAZ, POUCO TRANSPARENTE e FRAGILIZADA pelos comportamentos POUCO DIGNIFICANTES dos actuais dirigentes sindicais que deviam gerir e lutar pelo interesse comum de toda uma classe docente”. O que quer dizer em concreto com isso?
ME - Os tempos que vivemos são de uma injustiça social e de uma dureza económica que vai exigir dos professores uma atitude de resistência, uma vontade de mudança e a determinação de agir. Neste contexto não nos podemos compadecer com as atitudes que recentemente observámos na direcção do nosso SPM e que são fragilizadoras duma postura negocial firme e coerente. A avaliação extraordinária de desempenho de Excelente “oferecida” pela tutela aos dirigentes sindicais merece-nos o maior repúdio. O dirigente sindical deve assumir, nestas situações, uma postura de humildade e serviço a toda a classe que não o beneficie nem prejudique. Não é sério que este possa retirar proveitos de topo da sua privilegiada posição negocial, quando aos professores e educadores da RAM que no dia-a-dia das escolas labutam por uma educação de qualidade enfrentando todas as dificuldades com que a escola actual se depara (a indisciplina, a violência, a falta de meios, a incompreensão das famílias), lhes tenham sido impostos critérios difíceis de atingir para obter a mesma classificação.

TM - E no que é que deverá focar a avaliação dos docentes?
ME - A avaliação dos docentes tem de estar centrada no acto educativo e na escola.  Esta rasteira negocial, em que os dirigentes sindicais do SPM caíram, havia já sido armada nas mesas negociais da FENPROF, mas não encontrou terreno fértil à sua aplicação, tendo sido liminarmente rejeitada e, então, denunciada por Mário Nogueira.
A inauguração da actual sede da Cabouqueira em pleno período de campanha eleitoral pareceu-nos de todo inoportuno, pela colagem partidária que perpassou. O SPM tem de ser, e assim o pretendemos, um espaço de debate plural onde não cabem quaisquer favorecimentos partidários.


TM- Como classifica o trabalho realizado em prol da classe pela, ainda, presidente do SPM, Marília Azevedo?
ME - O trabalho sindical de décadas da colega Marília Azevedo é meritório e reconhecido, mas não nos conseguimos rever no trabalho da equipa que esta ainda coordena e que tem assumido, no último mandato, um rumo desviante da defesa dos professores e educadores e da Educação. A ausência de visitas periódicas às escolas, o esvaziamento dos espaços próprios de audição e debate dos professores, a fraca e pontual informação produzida sobre as negociações e o seu decurso, a pobre sensibilização para uma participação sindical activa, a diminuta e pouco diversificada oferta do Centro de Formação e um atendimento aos sócios nem sempre adequado, transformou a actual direcção num grupo de sindicalistas de gabinete, distantes da realidade educativa regional, produzindo um sentimento de abandono junto dos professores e educadores da Madeira e do Porto Santo.

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